Pára-me de repente o pensamento

Pára-me de repente o pensamento
Como que de repente refreado
Na doida correria em que levado
Ia em busca da paz do esquecimento.


Pára surpreso, escrutador, atento,
Como pára um cavalo alucinado
Ante um abismo súbito rasgado,
Pára e fica, e demora-se um momento.




Pára e fica, na doida correria.
Pára à beira do abismo, e se demora.
E mergulha na noite escura e fria


Um olhar de aço, que essa noite explora.
Mas a espora da dor seu flanco estria,
E ele galga e prossegue sob a espora...

Eu ontem vi-te…

Eu ontem vi-te…
Andava a luz
do teu olhar,
que me seduz,
a divagar
em torno de mim.
E então pedi-te,
não que me olhasses,
mas que afastasses,
um poucochinho,
do meu caminho,
um tal fulgor.
De medo, amor,
que me cegasse,
me deslumbrasse
fulgor assim.

Deus

Ó Deus...


No Céu


Do Sempre Além!...


No Improfundável!...


Teu modo é o Gesto que Elege o Bem...


- Fatal... - Eterno


... sobre ao Mutável!...






- Eras nos Tempos


Antes da Idade!...




Teu Gesto Imenso Gerou a Vida...


E, após teu Gesto...


- Supremo, Imesto...


Depós..., - é a Noute da Imensidade!...

Olhos de Lobas

Teus olhos lembram círios
Acesos n'um cemitério...
Dr. Rogério de Barros




Têm um fulgor estranho singular
Os teus olhos febris... Incendiados!...


Como os Clarões Finais... - Exaustinados
Dos restos dos archotes, desdeixados...
- Nas criptas d'um Jazigo Tumular!...


- Como a Luz que na Noute Misteriosa
- Fantástica - Fulgisse nas Ogivas
Das Janelas de Estranho Mausoléu!...


- Mausoléu, das Saudades do Ideal!...


- Oh Saudades... Oh Luz Transcendental!
- Oh memórias saudosas do Ido ao Céu!...


. Oh Pérpetuas Febris!... - Oh Sempre Vivas!...
- Oh Luz do Olhar das Lobas Amorosas!...



Vai, sobre o sombrio abismo

Vai, sobre o sombrio abismo
D'esta existência terrena...
- Nas asas d'um misticismo
E paira a sonhar, serena!...


Sob a luz calma e suave
Dos mundos do sentimento...
Paira tranquila, alma... ó ave!
Sacia o longo tormento!...


- Sonha!... e sonhando te esquece!...
- Lá no sonho recatado -
A Rosa, o Lírio entreteces
D'um abraço embalsamado


Lá minh'alma, alma adorada
Mulher na terra caída
Anjo em que meio à jornada
Sentiste a asa partida...


Lá minh'alma a ti cingindo,
Perfumada de amorosa,
No excelso cônjuge infindo,
Do Lírio, d'est'alma, ó Rosa!...


Fiquemos eternamente
Asa n'asa conjugada
- Se não tens nota ascendente,
Queda ó guitarra calada!